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Neste post vou continuar a descrever a minha experiência na cidade de Bissau. Desta vez vou falar da cidade em si, o que não é nada fácil visto que há tantos aspectos que posso destacar. Vou tentar escolher todos os interessantes.

Aqui e ali, este post pode ser usado como roteiro turístico para a cidade de Bissau. Se eu fosse boa pessoa destacaria a informação mais relevante de forma objectiva. Mas não sou, por isso  quem quiser saber vai ter que ler tudo; fodei-vos.

 

Transportes

 

Mãe do céu, a condução nesta cidade! Estão a ver aquelas cenas que se vê nos filmes da confusão que é conduzir numa cidade africana genérica? É tudo verdade e mais ainda, pelo menos em Bissau. Os carros param à beira da estrada ao desbarato e quem quiser que passe por cima. Em cruzamentos, passa o que se meter primeiro. A buzina é mais importante que piscas. O que são passadeiras? Normalmente não há passeios por isso pessoas na estrada é comum. Juro que vi uma ambulância em serviço de emergência a tentar entrar num cruzamento e ninguém poderia querer saber menos que os condutores desta cidade. Estranhamente, esta confusão funciona. Não vi nenhum sinal de acidente durante a minha estadia. Ordem na desordem.

Existem dois tipos de transporte público: os táxis e os toca-toca. Os toca-toca são aquelas Ford Transit, são amarelas e azuis e a viagem é baratíssima (100 XOFs, a moeda de cá ≈ 15 cêntimos). Nunca andei, não sei onde param.

Os táxis são mercedes velhos, azuis e brancos e que às vezes têm cintos de segurança a funcionar. Ah e os táxis são comunitários! O que isto quer dizer é que se estás no táxi e alguém vai mais ou menos para onde tu vais, essa pessoa entra. Quem decide é o taxista. O protocolo para interação com taxistas é relativamente igual ao de Lisboa: estás parado(a) à beira de estrada, o taxista buzina, estableces contacto visual com o taxista e ele pergunta telepaticamente "É para te apanhar ou páras de me fazer perder tempo?". Levantar o braço para aceitar, fazer gestos de negação vários para recusar. Antes de entrar no carro combinam o preço. Se fores branco, provavelmente vais pagar mais (isto é verdade para quase todos os serviços na cidade) mas não é preciso ser chulado. Tudo o que for acima de 1000 XOFs, para atravessar a cidade, é demais (só para ter uma ideia, 1000 XOF foi o máximo que paguei e corresponde a mais ou menos €1,5 *inserir piada sobre como os taxistas de Lisboa são uns gatunos que ainda se queixam da Uber*). Outro aspecto que é parecido a Lisboa no que toca a interação com os taxistas é o tema de conversa: Benfica, benfica, política, benfica e benfica. É só escolher, de nada.

 

Comércio

 

É incrivel a quantidade de comércio que existe nesta cidade. Não estou a referir-me apenas ao número de vendedores de "chinelas" por metro quadrado no Bandim (que é uma zona da cidade gigante dedicada ao comércio), estou a referir-me a toda a cidade. Em cada esquina existem pessoas a vender qualquer coisa. Desde fruta descascada, bananas, mancarra (amendoins), água potável em pacotes de plástico (é, água potável não é um recurso garantido, estimado leitor e provável europeu), cartões de telemóvel, "câmbio" de moeda, galinhas vivas, artesanato, roupa colorida, panos coloridos, sapatos coloridos, cintos, etc.

Dado o meu historial, espero não perder o meu passaporte cá mas, se isso acontecer, provavelmente vai estar à venda em Bissau. É só procurar.

As mulheres fazem aquela macumba do demónio de equilibrar tudo o que precisam de transportar, na cabeça. Respeito máximo.

Durante a minha estadia na cidade, houve algumas coisas que tive que comprar pois não deu para trazer de Portugal, porque não existe em Portugal ou porque me esqueci em Portugal. No primeiro dia comprei logo a rede mosquiteira para a cama, um bem de primeira necessidade para quem não se está a cagar para se apanha malária ou não (este vosso amigo que vos escreve está inserido nesta categoria).

 

Monumentos

 

Escasseiam. A história da cidade baseia-se na independência do país face aos portugueses, esses porcos colonos. Existe uma estátua de um punho de ferro que marca o banho de sangue resultante de uma greve de estivadores junto a um dos portos durante esse tempo. Na praça do império conseguem ver o palácio presidencial, a sede do PAIGC (o partido responsável pela independência) e acho que dá para subir ao restaurante do hotél Império para ter uma vista 360º da cidade (não cheguei a ir). Em Bissau velho a arquitectura colonial traduz-se em casas engraçadas de cores vivas e diferentes. Em Bissau velho há a fortaleza, um edíficio militar (acho que tem um museu com a história do país lá dentro).
Cuidado ao que tiram fotos, por exemplo, à fortaleza não se pode e vão ser chamados à atenção por guardas (sim, aprendi da pior maneira).

 

Sitíos onde consumir algo para o paladar

 

Confesso que não comi muito fora enquanto estive cá. Como poderia, com a hipótese de comer em casa do Francisco comida feita pela Mariana? Além disso, um dos cuidados a ter que me recomendaram antes de vir para cá é desconfiar da origem da comida e como esta foi cozinhada, sempre. Caso contrário, é favor procurar alguém que venda papel higiénico no Bandim e usar a saída de emergência.

Por duas vezes, fui degustar uma cerveja num bar com vista para a ilha do Rei (que fica em frente a Bissau). É engraçado porque é o cliente que tem que chamar alguém, isto se quiser ser atendedido. Tirando isso, é muito comum na Guiné-Bissau terem produtos portugueses mas não imaginei que fosse beber uma super bock com vista para o mar (rio?)...impecável.

Também comi um bitoque em dois sitíos diferentes, no Kais e no Samarina. No Kais a destacar o ambiente agradável (é onde alguns políticos vão jantar, portanto há-de ser o melhor que há na cidade), no Samaratina a destacar os preços fixes. Em ambos, fiquei satisfeito.

Mas o que eu gostei mesmo foi do jantar da véspera da partida para Cacine, na Taberna do Manel (fica algures aqui, até faço publicidade). O acesso é mau e o aspecto restaurante nada de especial. Posso contudo dizer, que comi os melhor chocos fritos de sempre. Recomendo.

 

Segurança

 

Pode-se dizer que a cidade é segura. Nunca durante a visita à cidade me senti ameaçado,  apenas muito observado por ser branco e/ou não aparentar viver na cidade. De qualquer maneira, preparei-me bem para a possibilidade do assalto, ou seja, não me pus a jeito para ser assaltado. A maior quantia de dinheiro e passaporte bem escondido numa destas cenas, não ostentar, não ter valores nos bolsos de fácil acesso e não parecer demasiado turista, o que quer que isso queira dizer. São os cuidados do costume.

Não tirei tantas fotos à cidade quanto queria porque não me senti seguro o suficiente em tirar a camera para fora, na maior parte dos casos. Tem a ver com a tal ostentação que falei. Fica ao critério de cada um.

 

Consulado de Portugal, ou lá o que é, em Bissau

 

Decidi criar uma secção só para falar mal do consulado de Portugal em Bissau. Então um jovem português está na cidade de Bissau e quer apresentar-se no consulado do seu país para caso aconteça alguma coisa saberem que estou por lá, pedir alguns contactos mais directos e os gajos nunca estão disponíveis? Primeiro fui lá disseram-me que o atendimento a portugueses é todos os dias das 9 às 12h30, na quinta-feira seguinte fui lá e disseram que afinal era só segundas, terças e sextas...convininente. Não é suposto um dos objectivos das embaixadas de um dado país estar ao dispor de cidadãos desse país? Feios.

 

É muito isto. Termino mais um post, com a noção que tenho 1460348 histórias diferentes que poderia contar sobre a cidade de Bissau, mas os meus quatro amigos não aguentam este blog se os posts continuarem a ser grandes pa cacete.

 

(Para os interessados em conhecer a Guiné-Bissau, sugiro a seguinte leitura: "À Descoberta da Guiné-Bissau". Li antes de fazer a viagem e foi fixe para me contextualizar em relação ao país e selecionar alguns pontos de interesse).

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publicado às 23:02





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